MATO VERDE (por Girleno Alencar) – A Polícia Federal investiga um suposto esquema de fraudes em benefícios sociais, como aposentadorias e licenças-maternidade, pagos a falsos trabalhadores rurais em Mato Verde, no Norte de Minas. O delegado João da Mata ouviu, na quarta-feira, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, Nailton Alves, que assinou várias declarações para pessoas que residiam na cidade e estavam cadastradas como trabalhadores rurais. A PF pretende analisar 2.100 benefícios concedidos em Mato Verde.
O HOJE EM DIA denunciou o suposto esquema em dezembro de 2008, depois que o então vereador Carlyle Kennedy Gomes de Sá fez a denúncia no Ministério Público, em Montes Azul, e depois no Ministério Público Federal, em Montes Claros. Na época, o INSS comunicou que poderia fazer uma auditoria em todos os benefícios concedidos a partir de declaração fornecida pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Mato Verde. Com base na lista do Ministério Público Estadual, foram encontrados indícios de irregularidades em sete casos: vizinhos dos beneficiários não reconheceram as pessoas como trabalhadoras rurais.
Alves nega qualquer tipo de fraude ou culpa do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Segundo o advogado dele, Lindoteres Neves, os atestados exigidos para a obtenção dos benefícios eram fornecidos com base em documentação trazida pelo trabalhador, depoimentos de testemunhas e vistorias no local.
O delegado João da Mata disse não poder falar sobre o caso para não prejudicar os trabalhos. Ele informou que já ouviu várias pessoas. Ele reconhece que o trabalho de investigação poderá se prolongado, devido ao grande número de benefícios concedidos.
A fraude consistia em apresentar uma declaração assinada por proprietário de terra, confirmando que a pessoa era trabalhadora rural em sistema de comodato, sem existir contrato assinado, mas apenas verbal.
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais fornecia uma declaração atestando a veracidade do período declarado, e depois a pessoa requeria benefícios no INSS. Em 2008, Luciana da Silva Ribeiro decidiu denunciar o esquema depois que o INSS descobriu que ela nunca morou na fazenda onde tinha comunicado.
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