- Neste ano, Antônio Andrade perdeu a presidência
do partido e não conseguiu se eleger deputado federal um mês atrás
Foto Oliveira Júnior
Vice-governador Antônio Andrade
em reunião em Janaúba, dia 16 de junho de 2018.
JANAÚBA (por Oliveira
Júnior*) – Definitivamente o ano de 2018 não tem sido bom para o
vice-governador de Minas Gerais, Antônio Andrade (MDB). Ele foi preso nesta sexta-feira,
dia 9 de novembro, pela Polícia Federal em uma operação que investiga suposto
esquema de corrupção no Ministério da Agricultura durante o governo da
presidente Dilma Rousseff (PT). Além de Antônio Andrade, também foram presos Joesley
Batista e Ricardo Saude, executivo da JBS.
O atual governador de
Minas Gerais foi ministro da Agricultura no primeiro governo de Dilma. Rompido politicamente
com o PT em Minas, Antônio Andrade perdeu a eleição deste ano quando se
candidatou a deputado federal. Antes, ele havia perdido a presidência do
partido do estado e também “enterrado” o seu projeto de ser candidato ao
governo do estado, uma vez que o partido optou pelo nome do deputado estadual
Adalclever Lopes (PMDB), presidente da Assembleia Legislativa, na eleição
majoritária em que o candidato do MDB não foi sucedido.
Em junho passado, durante
encontro regional do MDB no Norte de Minas, Andrade e Lopes “travaram” uma
disputa entre os aliados emedebistas para a convenção partidária e firmaram o
compromisso de que quem perdesse na escolha iria apoiar o outro na eleição ao
governo de Minas. No entanto, na prática a história foi outra. Adalclever foi
candidato a governador – em princípio ele seria o vice de Márcio Lacerda, do
PSB, mas Lacerda não conseguiu o apoio do seu partido e, com isso, Lopes foi o
candidato ao governo – enquanto que Andrade fez campanha para o candidato
Antônio Anastasia (PSDB).
Sem espaço no partido
para a disputa majoritária, até mesmo para vice-governador, Antônio Andrade
apostou as suas fichas por uma cadeira na Câmara Federal. Entretanto, amargou a
suplência. E para piorar, hoje, um mês após a eleição, o vice-governador é preso
pela PF.
Os policiais federais
cumprem mandado de busca e apreensão no gabinete de Andrade. Os agentes cumprem
62 mandados de busca e apreensão – em Belo Horizonte são 26. Os outros são em
São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso.
A operação é baseada na
delação de Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB. Segundo as
investigações, havia um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério
da Agricultura para beneficiar políticos do MDB, que recebiam dinheiro da JBS,
dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em troca de medidas para beneficiar as
empresas do grupo. Além do vice-governador e dos executivos PF prendeu Demilton
Antonio de Castro, responsável por organizar um arquivo com 9 mil dados de operações
financeiras ilegais feitas pela JBS, o chamado "planilhão da
propina". (*com agências e Globo.com)
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